segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016


ABOLIÇÃO DOS ESCRAVOS DE ITAPAJÉ 

E SEUS HERÓIS

2 de fevereiro de 1883 - 2 de fevereiro de 2016

(133 anos de CIDADANIA) 

2016





DOCUMENTOS HISTÓRICOS SOBRE A ABOLIÇÃO DOS 

ESCRAVOS DE SÃO FRANCISCO DA URUBURETAMA

(ITAPAJÉ) 

2 DE FEVEREIRO DE 1883



PARTE I

    Um fato interessante se faz necessário ser do conhecimento de todos: O ideal abolicionista de São Francisco já era ativo e forte. O Instituto do Ceará, em uma publicação do General Tácito Theóphilo, (cópias do originais obtidas no Instituto do Ceará, por mim impressas e em meu poder). Divulgado graças as pesquisas do Diretor do Arquivo Público do Estado do Ceará, Geraldo Nobre, cataloga oito documentos muito importantes para a história da progressiva abolição cearense.
    Já em 25 de agosto de 1881, é encaminhado ao Presidente da Província do Ceará, Sr. Senador Pedro Leão Velloso, correspondência da Junta de Emancipação de São Francisco. A mesma, semelhante à Junta de Classificação, era constituída pelo Presidente da Câmara, do Promotor Público, do Coletor de Rendas, do Escrivão e do Juiz de Paz.  Cabe salientar que a Junta de Emancipação, examinava cada caso e decidia se a venda de escravos era proveitosa à causa da liberdade, aceitando ou não o oferecimento feito pelo Senhor do escravo que era então indenizado pelo Fundo de Emancipação.
    Abaixo transcrição literal de um documento enviado pela Câmara Municipal de São Francisco, dirigida ao Presidente da Província, como visto acima, pelo Sr. Senador Pedro Leão Velloso, datada de 25 de agosto de 1881. A missiva, bem como, uma cópia da `Acta´ dos trabalhos de classificação em se ocupou, relacionando 26 escravos naquela data e atendendo solicitação do Presidente.
“Paço da Câmara Municipal da Villa de São Francisco 25 de agosto de 1881.
Ilmo. E Ex.mo Senr.
    A Junta de Classificação de Escravos deste Município tem a honra de passar às mãos de V. Exa. Cópia das actas de seos trabalhos, relativos ao mesmo objecto, de que se occupou ultimamente por ordem de V.Exe.a, a quem Deus Guarde.
Il.mo e Ex.mo Sr. Senador Pedro Leão Velloso.
Mui DIG.no Presedente da Provícia
O Presidente da Câmara
Manoel Fran.co de Sales
Joaq.m Bento de Araujo
Collector
José Antônio Guedes Alcoforado
Pr.r Ad hoc

    Abaixo a transcrição da Ata da Junta de Classificação:
“Cópia, Província do Ceará, Município de São Francisco, Classificação de escravos para serem libertados pelo Fundo de Emancipação.
Art. 27 § 1º nº 2.

    "João, mulato, cincoenta annos de idade, cazado, não tem profissão, boa aptidão para o trabalho, com seis pessoas de família, quatro filhos livres pela lei, boa moralidade, avaliado por cem mil reis, pertencente a João de Souza Bonfim, tem um pecúlio de vinte mil reis, matriculado sob o numero duzentos e oitenta e nove da matrícula geral. Inocencio, preto, trinta e seis annos de idade, cazado lavrador,  boa aptidão para o trabalho, com cinco pessoas de família, três filhos livres boa moralidade, avaliado por cento e quinze mil reis, pertencente a Dona Maria da Cunha Araujo, viúva do Magno, tem um pecúlio de cinco mil reis, matriculado sob o numero, quatrocentos e dezeceis da matricula geral.
    Luiza, criola de trinta e quatro anos de idade cazada não tem profissão boa aptidão para o trabalho dois filhos livres boa moralidade, avaliada por cem mil reis, pertencente a Dona Anna Maria de Salles matriculada sob o numero cento e trinta e um da matricula geral.
    Maria, preta, de trinta e nove anos de idade, solteira, não tem profissão boa aptidão para o trabalho, dois filhos livres, boa moralidade avaliada por cem mil reis pertencente, a Dona Joanna Bastos, digo Joanna Delfina Bastos, matriculada sob o numero cento e cinqüenta e nove da matricula geral.
    Joanna, parda de vinte e sete annos de idade, solteira não tem profissão boa aptidão para o trabalho, com quatro filhos livres, não tem boa moralidade, avaliada por cento e dês mil reis,  pretencente a Francisco Rufino Ferreira Gomes, tem um pecúlio de dez mil reis, matriculada sob o numero quatrocentos sessenta e cinco da matricula geral.
    Vicente, cabra, de trinta e nove anos annos de idade, cazado, não tem profissão,, boa aptidão para o trabalho, com quatro filhos livres não tem boa moralidade, avaliado por cem mil reis pertencente a João Francisco Ferreira, tem um pecúlio de vinte mil reis, matriculado sob o numero duzentos setenta e três da matricula geral.
Paulo, preto, sessenta e três annos de idade, cazado não tem profissão boa aptidão para o trabalho, sem filhos, boa moralidade, avaliado por sessenta mil reis, pertencente a Custodio Teixeira Pinto, matriculado sob o numero trezentos noventa e oito da matricula geral.
    Roza, criola, quarenta e oito annos de idade não tem profissão, boa aptidão para o trabalho, com um filho livre, boa moralidade, avaliada por cem mil reis, pertencente a Dona Thereza Maria da Conceição, tem um pecúlio de cincoenta mil reis, matriculada sob oo numero quatrocentos e vinte e três da matricula geral.
Francisco,  pardo trinta e seis annos de idade, cazado, não tem profissão boa aptidão para o trabalho com cinco filhos livres,boa moralidade avaliado por cento cincoenta mil reis, pertencente a Eufrázio Alves Carneiro, (Nota de Ribamar Ramos: Eufrásio Alves carneiro era genro de Francisco Miguel de Andrade, um dos construtores da primeira Igreja, da então São Francisco. Era pai de Ricardo Alves Carneiro e outros e avô de Aristóteles Alves Carneiro) )matriculado sob o numero trezentos setenta e três da matricula geral.
    Anastacio, cabra, quarenta e nove annos de idade, cazado, não tem profissão, boa aptidão para o trabalho com dois filhos livres, boa moralidade, avaliado por oitenta mil reis, pertencente a Eufrázio Alves Carneiro, tem um pecúlio de cinco mil reis, matriculado sob o numero cento e trinta da matricula geral.
Francisca, mulata, dezecete annos de idade, solteira, não tem profissão, boa aptidão para o trabalho, boa moralidade, avaliada por cento e concoenta mil reis, pertencente a Domingos Rdrigues Barreto, tem um pecúlio de setenta mil reis, matriculado sob o numero trezentos quarenta e quatro da matricula geral.
Januaria, criola, vinte e seis annos de idade, solteira, não tem profissão, boa aptidão para o trabalho, com um filholivre, boa moralidade, avaliada por cento e cincoenta mil reis, pertencente a Neutel Pinheiro Bastos, tem um pecúlio de sesenta mil reis, matriculada sob o numero oitenta e nove da matricula geral.
Juliana, cabra, trinta e sete annos de idade, solteira não tem profissão, boa aptidão para o trabalho, boa moralidade, avaliada em cem mil reis, pertencente a  Ludovico Pires Chaves, tem um pecúlio de cincoenta mil reis, matriculada sob o numero cento e trinta três da matricula geral.
     Veronica, mulata, trinta e cinco annos de idade, solteira não tem profissão, boa aptidão para o trabalho,boa moralidade, avaliada por cem mil reis, pertencente a  Angelo José de Mattos, tem um pecúlio de vinte mil reis matriculado sob o numero duzentos e sessenta da matricula geral.
Vicencia, parda, trinta e nove annos de idade, solteira não tem profissão, boa aptidão para o trabalho, boa moralidade,  avaliada por cem mil reis, pertencente a Joaquim Bento de Araujo, tem um pecúlio de quarenta mil reis, matriculada sob o numerocento e oitenta e três da matricula geral.
     Adriana, mulata de quarenta e nove annos de idade, solteira, não tem profissão, boa aptidão para o trabalho, boa moralidade, avaliada cincoenta mil reis, pertencente a Francisco Rodrigues Peixe, tem um pecúlio de quarenta mil reis, matriculada sob o numero sessenta da matricula geral.
     Margarida, cabra de vinte e nove annos de idade solteira não tem profissão boa aptidão para o trabalho, boa moralidade, avaliada por cem mil reis, pertencente  Francisca Barreto da Conceição, tem um pecúlio de cinco mil reis, matriculada sob o numero trezentos enove da matricula geral.
     Mariana, cabra, de cincoenta e dois annos de idade, solteira, não tem profissão, boa aptidão para o trabalho, com um filho livre, boa moralidade, avaliada por sessenta mil reis, pertencente a Dona Maria Jacintha Cavalcante, tem um pecúlio de dês mil reis, matriculada sob o numero duzentos e cincoenta e um da matricula geral.
Antonia, parda, quarenta e cinco annos de idade solteira, não tem profissão boa aptidão para o trabalho, boa moralidadeavaliada por cem mil reis, pertencente aLucas Pereira de Souza, tem um pecúlio de cinco mil reis, matriculada sob o numero trezentos quarenta e sete da matricula geral.
     Manoel, mulato, trinta oito annos de idade, solteiro não tem profissão boa aptidão para o trabalho, boa moralidade, avaliado por duzentos mil reis, pertencente a Vicente de Salles Gomes Primo, tem um pecúlio de dezoito mil reis, matriculado sob o numero quarenta e três da matricula geral.
    Cosme, cabra, trinta e cinco annos de idade não tem profissão, boa aptidão para o trabalho, boa moralidade,avaliado por quarenta mil reis, pertencente a Maria da Cunha Araujo, tem um pecúlio de dezoito mil, reis, matriculado sob o numero trezentos e vinte e um da matricula geral.
    Albina, cabra, concoenta annos de idade, solteira não tem profissão boa aptidão para o trablho, boa moralidade, avaliada por oitenta mil reis, pertencente a  Manoel Rodrigues Barreto, tem um pecúlio de vinte mil reis, matriculada sob o numero trezentos oitenta e quatro da matricula geral.
    Merenciana parda, trinta annos de idade, não tem profissão, boa apitidão para o trabalho, boa moralidade, avaliada por cem mil reis, pertencente a Maria Pereira de Salles, tem um pecúlio de dês mil reis, matriculada sob o numero trezentos noventa e dois, da matricula geral.
    Anna, parda, dezenove annos de idade, solteira, não tem profissão, boa apitidão para o trabalho, com dois filhos livre, boa moralidade, avaliada por cento e trinta mil reis, pertencente a Raimundo Pinto Cavalcante tem um pecúlio de dês mil reis, matriculada sob o numero trezentos cincoenta e sete da matricula geral.
Virgilina, mulata, vinte e quatro annos, solteira, não tem profissão, boa apitidão para o trabalho, boa moralidade, avaliado por cento e vinte mil reis, pertencente a Dona Ubilina Francisca Bandeira de Mello, tem um pecúlio de dês mil reis, matriculada sob o numero trezentos e vinte e sete da matricula geral, e, finalmente;
Maria, mulata, solteira, não tem profissão, boa apitidão para o trabalho, boa moralidade, avaliada por cento e cincoenta mil reis, pertencente a Dona Matildes da Rocha Sampaio, tem pecúlio de vinte mil reis, matriculada sob o numero trezentos cincoenta e três reis da matricula geral.
Eu José Victorino Alves Maia, escrivão da Junta Municipal o escrevi. Sala das Sessões de Classificação em vinte e cinco de agosto de 1881.

O Presidente da Câmara
Manoel Fran.co de Salles
O Collector
Joaquim Bento de Araujo
O Promotor Adhoc
José Antonio Guedes Alcanforado”

   “O Exame mais detalhado do documento organizado pela Junta do Município de São Francisco, nos mostra que a Relação ou Classificação dos escravos a serem libertados, contém muitos detalhes, tais como: Nome, cor, idade, estado civil, profissão, aptidão para o trabalho, número de pessoas na família, numero de filhos, condições morais, bem como, nome do proprietário, valor estipulado, valor do pecúlio e, finalmente o número de matricula geral.
    A meu ver, apenas o item pecúlio merece uma pequena explicação de que se trata. O pecúlio eram pequenas rendas adquiridas durante a vida do escravo, que podiam ser utilizadas na compra de sua alforria. Em trabalho divulgado na internet, de autoria de José Leandro Peters – “Visões opostas sobre a escravidão no Brasil do século XIX”, cópia em meu poder, é dada uma explicação de que se tratava:
Pecúlio e Alforria.
    A convivência familiar abre para os escravos a possibilidade de ajuntar um pecúlio, pois  passam a desenvolver uma economia doméstica baseada não somente nos cuidados de seu senhor.
A partir do casamento, reconhecido ou não perante a igreja, os negros têm a possibilidade de criar pequenos animais – galinhas e porcos – e cultivar um pequeno pedaço de terra.
    Essas mercadorias são usadas ou para a subsistência familiar ou destinada ao comércio, o qual traz a possibilidade do cativo reter um ganho monetário, formar um pecúlio e destiná-lo à compra de sua liberdade.
Porém, quando passa a conviver em família, o escravo já não tem como meta, somente a sua alforria, mas também a de sua esposa e de seus filhos, o que faz dessa, uma luta conjunta.
    Podemos considerar também que alguns escravos optavam por não terem filhos, para que dessa forma tivessem maiores chances de alcançar a liberdade, pois seriam menos alforrias a serem compradas.
Quando esses cativos conseguiam a alforria sua idade já não mais os permitia dar origem a uma prole.
Na fazenda, quem normalmente recebia a alforria eram escravos velhos, mucamas, aqueles que constituíam uma família ou os que se encontravam mais próximos de seu senhor.
    Contudo não era no campo que a formação de pecúlio se dava de forma ampla, mas nos centros urbanos.
Como já foi dito, o escravo urbano detinha uma maior autonomia do que o escravo rural.
    O fato de ele ter de pagar um jornal fixo a seu senhor permitia-lhe formar um pecúlio maior e, com ele, garantir a compra de sua alforria. Nas atividades urbanas encontramos, entre outros, os escravos de aluguel, os escravos operários e as quitandeiras...”.
Outros municípios, também relacionados no artigo do General Tácito Theóphilo, acima merecem destaque, pois por suas data de emissão seguiram-se a de São Francisco.
    Ofício da Junta de Emancipação de Escravos de Jardim, datada de 17 de julho de 1882; Idem, Município de Acarape, datada de 19 de julho de 1882; Ofício do Presidente da Província Domingos Antônio Rayol, datada de 12 de maio de 1883, congratulando-se com o Juiz de Direito de São João do Príncipe – (Tauá) e diversos outros. Cópia do referido documento se encontra em meu poder para os que desejarem maiores detalhes sobre o assunto aqui tratado.
    O episódio da Abolição dos escravos em São Francisco foi assim narrado por Raimundo Girão, no livro: A ABOLIÇÃO NO CEARÁ, Editora  A. BATISTA Fontenele, EDIÇÃO DE 1956, Páginas 162 e seguintes:
“Em São Francisco não foi menor o arrebatamento: a comitiva da “Libertadora”, que aguardava, na povoação Arraial, - atual Uruburetama - (Nota: Na época, distrito de Arraial pertencia ao município de São Francisco de Uruburetama. Arraial - atual Uruburetama, somente recebeu a condição de município, com o topônimo de Uruburetama, em 1º de agosto de 1890, quando o mesmo foi desmembrado de São Francisco).
    Depois da passagem por Arraial, a Comitiva da Casa Libertadora, se dirigiu para São Francisco, descendo a serra da Uruburetama, onde muitas pessoas, solidárias com a efeméride da libertação, aguardavam para, solidários unirem-se aos abolicionistascapitaneado por Felipe Sampaio. 
    A entrada em São Francisco foi festiva e ocorreu às sete horas da noite, (19 horas) - de 1 de Fevereiro de 1883 – debaixo de flores, música e ovações febris. Ao descer de seu cavalo, falou (José do) Patrocínio, “abrindo com a magia de sua palavra o coração do povo”, que o saudava vibrantemente.
    No dia seguinte a Câmara Municipal muda o nome das Ruas do Comércio e dos Caratiús, para “Rua 2 de Fevereiro” e “Rua Felipe Sampaio”, e concede a (José do) Patrocínio, título de cidadão Sanfrancisquense”.
    Aos 2 dia  de fevereiro de 1883, as estrondosas festividades, começadas ao ronco de 21 tiros pela madrugada, abafando a vozearia da música, dos sinos e foguetes. A vilazinha, toda, em gala não cabia em si no seu júbilo justificado, e a sua igreja como que inflava com o átrio –(nota - Fora inaugurada havia alguns anos atrás, precisamente em 1878 ) -  e as calçadas para comportar toda aquela população que ia assistir à esperada solenidade.
    O presidente da Sociedade Libertadora de S. Francisco, Dr. Antônio Ferreira de Melo Santiago, disse dos fins da sessão e deu a presidência a José do Amaral, que declina da honra em favor de Felipe Sampaio. Este exige que ela fique com Patrocínio, mas “O Tigre", explicando estar ali "quem dispunha da balança e da espada", o magistrado Antônio Columbano de Assis Carvalho, pede-lhe que aceite a direção dos trabalhos.
    O primeiro a discursar foi o presidente da Câmara João Januário Barreto, que declara "oficialmente extinto no Município (de são Francisco) o elemento escravo". Outros oradores externaram os seus sentimentos: João Oto do Amaral Henrique, Antônio Martins, José do Patrocínio, Antônio Bezerra, José Marrocos e Raimundo Vóssio Brígido.
     Segunda vez usava da palavra: Antônio Martins para recitar a poesia em que Rodolfo Teófilo cantava as glórias daquela terra, agora mais feliz. A seguir Antônio Bezerra, duas outras composições poéticas, uma de José Galeano e outra de Bernardino de Sales; e José Marrocos para dizer que trazia as flores do coração das Cearenses Libertadoras a fim de depô-las nas mãos das senhoras libertadoras de S . Francisco.
    Patrocínio foi obrigado a orar diversas vezes e pôde gritar de pulmões cheios: - "Hoje cada pegada dos legionários da Liberdade é um pedaço de território livre! Bradando o fiat do alto das montanhas do Acarape, em baixo surgiu a vila da Redenção. Os ecos foram ressoar na cordilheira da Uruburetama e na serra da Aratanha, e São Francisco... (Nota do autor: As efemérides ocorreram às 9 horas da manhã, em São Francisco – atual Itapajé, conforme transcrito na Acta comemorativa, e em Pacatuba, às 11 horas da manhã do mesmo diaconforme documento intitulado O CENTENÁRIO DA ABOLIÇÃO DE PACATUBA, de Manoel Albano Amora – Instituto do Ceará, página 46.....
    .... ofereceram mais dois pedaços de território livre a essa pátria de escravos".Por último, entregaram-se as cartas dos 112 libertos. Baile á noite com a mesma animação fervente.
    Não havia mais proscritos aos olhos do Gigante de pedra, que Antônio Martins cantou inspiradamente, no poema O Monge de Granito, num crepúsculo de amavios: “Era da tarde ao fim, que o vi de perto!...”.
    Para um maior esclarecimento e, ao mesmo tempo, acrescer mais informações sobre o Glorioso Esforço da Libertadora, no que se refere ao desejo de não mais existir no Brasil, o vergonhoso elemento escravo, a começar pelo Ceará, iniciando-se no interior, primeiro em Acarape, em 1 de janeiro de 1883 e depois em São Francisco, as 9 horas da manhã, no mesmo dia, porém as 11 horas, festejavam-se também em Pacatuba, solenidade de igual teor humanitário. Esses três municípios anteciparam-se no gesto dignificante, a própria capital Fortaleza e ao estado do Ceará. Abaixo, continuação da transcrição do livro acima citado, fazendo um levantamento estatístico sobre o número de escravos no estado do Ceará.
    “ ... Conforme quadro estatístico levantado pelo Presidente (da Libertadora) Sancho de Barros Pimentel e remetido ao Ministro da Agricultura, o elemento servil no Ceará, em agosto de 1881, já estava reduzido a 24.463 cativos e 7.436 ingênuos, contra a população (do Estado do Ceará) total de 721.600. A redução - acrescenta o governante - decorria do "grande comércio de exportação deles para as províncias do sul; da propaganda da manumissão a título oneroso ou gratuito; dos óbitos ordinários e extraordinários; das epidemias reinantes no longo período da sêca e da corrente de emigração que se estabeleceu naquela época anormal".

Para maior enriquecimento desta pesquisa citamos: O "Libertador" de 1 de janeiro de 1884 registra, como sendo de 31.516, a população escrava do Ceará, assim distribuída pelos diversos municípios: Fortaleza-Messejana, 1.273; Aracati-União (Jaguaruana), 1.159; Granja-Palma (Coreaú), 1.240; Acaraú, 440; Aquiraz, 449; Acarape (Redenção), 115; Assaré. 512; Barbalha-Missão Velha, 711; Baturité, 789; Canindé-Pentecoste, 516; Cascavel, 807; Crato, 835; Icó, 731; Ipu, 736; Imperatriz (Itapipoca) 882; Jardim, 446; Jaguaribe - Cachoeira, 608; Limoeiro, 608; Lavras, 768; Maranguape-Soure (Caucaia), 847; Maria Pereira (Mombaça), 438; Milagres, 586;Morada Nova, 367; Pedra Branca, 157; Pacatuba, 298; Pereiro. 465; Quixeramobim, 1924; Quixadá, 298; S. Francisco (Itapajé), 427; S. Bernardo (Russas), 1972; Santa Quitéria, 820; Santana do Acaraú, 941; São Mateus, 499; Saboeiro-Brejo Seco (Brejo Santo) 1130; São João do Príncipe (Tauá.); Arneirós, 1956; S. Benedito - Ibiapina, 135; Telha (Iguatu), 251; Trairi, 249; Tamboril, 614; Viçosa, 323 e Várzea Alegre, 153.    Aceita o Barão de Studart que, no dia da libertação total, em 1884, havia na Província 30.000 escravos, ao passo que Sousa Pinto, os estima em 31.754. Em 30.000 mais acertadamente calculava Rodolfo Teófilo, os existentes ao começar a seca de 1877-79. Na verdade, os 31.913 do censo de 1872, em virtude dos fatores apontados por Barros Pimentel, não podiam ser, no momento inicial da batalha libertadora, senão aqueles por ele indicados. Daí por diante, os libertadores fariam esse número cair a zero”. Logo adiante, cópia da Ata de Libertação dos Escravos de São Francisco.


GAZETA DE NOTÍCIAS




DOCUMENTOS REFERENTES À ABOLIÇÃO DOS ESCRAVOS 
EM SÃO FRANCISCO - (ITAPAJÉ).

Abaixo transcrição ipsis litteris da Ata que documentou a libertação dos escravos de Itapajé, no dia 2 de Fevereiro de 1883 – (às 9 horas da manhã).


2 DE FEVEREIRO DE 1883

ACTA COMEMORATIVA


Acta da inauguração da Redempção do Município de São Francisco, pela libertação de todos os seus escravos

Aos dois dias do mez de Fevereiro do anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo, de 1883, nesta Villa de São Francisco, comarca da Imperatriz, Provincia do Ceará, pelas nove horas da manhã, reunidos no corpo da Igreja Matriz desta mesma Villa as sociedades libertadoras, compostas: uma de homens e outra de senhoras, e extraordinário concurso de povo, que ali se reuniu para assistir a festa de declaração da extinção completa dos escravos do Município; presente ainda, a commissão enviada do seio da Sociedade Cearense, Libertadora da Capital, para em seu nome associar-se a estas solenidades; composta dos Cidadãos José do Patrocinio, José Amaral, Te. Felipe de Araújo Sampaio, Izac Amaral, Antônio Martins, Antônio Bezerra e José Marrocos, que por officio do primeiro do corrente, havia scientificado a Sociedade Libertadora de São Francisco da missão que trasia em nome daquella, cujos sentimentos expendia; tomaram todos, os logares que lhes eram destinados em roda da grande mesa, que, no recinto da Igreja Matriz se achava postada.
Usando então, da palavra o Dr. Antônio Ferreira de Mello Santiago, que devia presidir aquella sessão, e encarando a importância e grandesa do acontecimento, que se tinha de solemnisar, deante da insuficiencia dos seus merecimentos, terminou por declarar que declinava da subida honra de presidir aquelle acto; porque, presente se achava o membro da Sociedade Cearense da Capital, o cidadão José Amaral, a quem por sua dedicação e acrisolado amor devia competir de direito aquella cadeira; é elle que tinha direito a uma das maiores porções de glória dessa crusada; pelo que convidando esse cidadão a occupar  aquella cadeira, ele a deixava.
Occupada então, pelo cidadão José Amaral, este por sua vez, considerando-se aquém dos merecimentos que somente; generosidade de irmãos podia descobrir, deante dos do cidadão, Te. Felippe de Araujo Sampaio, que, filho do município, havia sido o iniciador do movimento, que naquella occasião se solenisava, e terminava por elevar o município a altura de um Município, livre; declarou que não se sentia bem collocado naquella cadeira para presidir tão grande festa, convidava o Te. Sampaio para substitui-lo.
Occupando aquella cadeira o Te. Sampaio, considerou-se ainda por sua vez muito aquém da honra que lhe era conferida, declarando que, se alguma cousa de seu procedimento podia valer deante da generosidade de seus irmãos, a presidência daquella sessão, alguma cousa havia ainda immensamente superior aos seus esforços e devotamento, era a intelligência e o coração do cidadão José do Patrocinio, cuja pessoa estará sempre a serviço da causa da redempção dos Captivos, empenhado na mais porfiada ­das luctas da intelligência contra o escravagismo do século; que, portanto, deixando aquella cadeira em homenagem a intelligência e coração de José do Patrocinio, elle convidava a esse cidadão para substitui-lo.
Por sua vez, occupando aquella cadeira, José do Patrocinio fez sentir que acima da missão de jornalista, de homens de opinião pública, estava a missão de juiz, que tendo em uma mão a balança, noutra a espada, sentenciava sobre o direito em letigio e era obdecido; que, representante legal um poder público, encarregado de assegurar com a lei, as liberdades e garantias sociaes, elle considerava o digno Juiz de Direito da Comarca, Dr. Antônio Columbano Serafico d'Assis Carvalho como o único a quem de direito competia presidir tão grande festa; pelo que, deixando aquella cadeira, elle convidava o distinto magistrado a occupa-la.
Tomando então assento o Dr. Columbano declarou que acceitava a grande honra que lhe éra confiada e declarava aberta a sessão, com a manifestação solemne e pública, que fasia, de estar extincta no Município a Escravidão d'alguns de seus filhos; e de que naquella occasião e naquelle recinto por onde todos haviam entrado pelo baptismo, em communhão social os filhos da Igreja Católica, se havia estabelecido a igualdade perante a Naturesa, perante a Lei e perante a Religião.
Concedendo então, a palavra ao orador da commissão da Câmara Municipal, composta dos cidadãos ­Vicente de Salles Gomes Primo, Neutel Pinheiro Bastos e João Januário Barreto, como encarregado de exprimir os sentimentos da Municipalidade e proclamar a extinção do elemento servil no Município proferiu elle eloquente oração, que terminou por declarar official e legalmente extincta a escravidão no Município.
Terminado que foi, seu discurso, seguiram-se com a palavra, pela ordem de sua collocação, o Dr. João Otton do Amaral Henrique, como advogado da  sociedade, e os distinctos cidadãos, Antônio Martins, José do Patrocínio, Antônio Bezerra, José Marrocos e Raymundo Brigido dos Santos, que discursando todos sobre o assumpto da festa, saudaram o dia de maior acontecimento que no presente e no fucturo se havia de operar no município de São Francisco; o dia 2 de Fevereiro, que assignalaria no fucturo, o primeiro marco plantado no caminho da redempção deste Município.
Pela segunda vez obtendo a palavra os oradores Antônio Martins, Antônio Bezerra e José Marrocos, procuraram desempenhar-se do encargo que trasiam, o primeiro: De offerecer em nome de Rodolpho Theophilo, uma bella poesia de sua composição; o segundo, duas poesias ainda, de Juvenal Galeno e Bernardino de Salles; e o terceiro, as flores arrancadas do coração das senhoras da sociedade abolicionistas da Capital, que o orador disse depor aos pés das senhoras libertadoras deste Município.
Por duas veses ainda coube a palavra o cidadão José do Patrocinio, que estendendo-se em novas considerações sobre o acontecimento do dia, terminou por concitar a todos a render graças ao Altissimo pelo feliz acontecimento daquelle dia, em que o sangue de um herói da Pátria, Nunes Machado, traiçoeiramente derramado, brotara para os filhos deste município a liberdade que elle disputara para a sua Pátria.
Então, o presidente da mesa, suspendendo por momentos, os trabalhos convidou a todos para assistirem a missa que se tinha de celebrar, depois da qual, se prosseguiria nos trabalhos da mesa, com a destribuição das cartas.
Terminado que foi o sacrificio da missa, continuaram os trabalhos sendo feito por lista organisada, a chamada dos libertos, sendo que ao conferir o primeiro delles, a carta de sua liberdade, foi freneticamente abraçado pela distincta 2.ª vice-presidente da Sociedade das Senhoras, Exma. Snra. D. Ambrosina Henrique, que encarregou-a de transmitir as suas companheiras naquelle abraço as seguranças de quanto praser lhe ia n'alma por ver todos resti tuidas a sua communhão.
Por todas as demais Senhoras foram jurar demonstrações feitas, reinando nesta occasião o mais indiscreptivel praser entre todos, homens e senhoras.
Contada a relação dos libertos deu cento e doze nomes seguintes, alphabeticamente arrolados: Antonia, de 22 annos, de Franklin Pinheiro Bastos; Antônio 22 a., de Thereza Maria da Conceição; Antônio, 12 a, de Alexandre José Rodrigues; Antonio, 30 a, de Maria Missias de Queiroz; Antônio 32 a, de Francisco Rufino Ferreira Gomes; Barbara, 17 a., de Francisca Barreto da Conceição; Bernardo, 35 a., de Eufrásio Alves Carneiro; Benedicto, 60 a.; de Ludovico Pires Chaves; Bibiana, 56 a., de Francisco José Pinto; Caetano, 43 a, de Miguel Antônio Rodrigues; Cândida, 28 a, de Marianna Pires Guimarães; Cândida 12 a, de Maria da Cunha Araújo; Carolina, 22 a., de Maria Sampaio de Queiroz; Cosmo, 16 a., de Ludovico Pires Chaves; Caetano, 35 a., de Lauriano Teixeira Bastos; Domingos 18 a., de David Teixeira Bastos; Domingos, 13 a., de Maria da Cunha Araújo; Domingos, 8 a., de Alexandre José Rodrigues; Domingas, 12 a., de Francisca Barreto da Conceição; Estevão, 24 a., de Francisco Manoel d´Avila; Epiphanio, 22 a,, de Durça Margarida do Espirito Santo; Francisco, 12 a., de Thereza Maria da Conceição; Francilino, 24 a., de Mariana Pires Guimarães; Felipe 40 a., de Domingos Rodrigues Barreto; Francisco, 22 a., de João Francisco de Sousa; Francisco, 12 a., de Theresa Maria da Conceição; Felismina, 12 a., de João Francisco de Lima; Fellipe, 21 a., de Domingos Barbosa do Espirito Santo; Francisco, 15 a, de Francisco Rufino Ferreira Gomes; Francisco, 16 a., do mesmo;  Felipe 40 a., de Feliciano Ignácio Vieira; Felix, 65 a., de Pedro Barroso Valente Veras; Francisca, 18 a., de  Josué Teixeira Bastos; Francisca, 20 a., de Alexandre José Rodrigues; Francisca, 16 a., de Ludovico Pires Chaves; Felippe, 35 a., de Antônio Pereira Lima;  Isabel, 31 a., de João Francisco de Sousa; Innocencio, 20 a., de Ricarte Sampaio de Queiroz; Inez, 20 a, de Maria Jacyntho Cavalcante; Juliana, 25 a, de José Dias de Carvalho; Josepha, 16 a., de Miguel Antonio Rodrigues; Josephina, 13 a., de Francisco Escocio de Meneses; Joanna, 15 a, de Durça Margarida do Espirito Santo; Justino, 16 a., da mesma; Josepha, 26 a., de Lauriano Teixeira Bastos; Joaquim, 37 a., de Antonio Barroso Valente; Joaquina, 12 a., de Theresa de Barros Fortes; Josepha 18 a., de Joaquim Maximiano; José, 36 a., de Manoel Rodrigues Barreto; João 21 a., de Maria Geralda; Joanna, 20 a.; de Jacob A1ves Carneiro; Joanna, 20 a., de Galdino Ferreira Gomes; Joanna, 22 a., de David Teixeira Bastos; José. 38 a., de Alexandre José Rodrigues; João, 13 a., de Ludovico Pires Chaves; José, 12 a., de Antonio Teixeira Bastos; Luiz, 31 a, de Maria Pereira de Salles; Luiz, 12 a., de Domingos Rodrigues Barreto; Luisa, 60 a., de Antonio Teixeira Bastos; Luisa, 25 a., de Pedro Jacome Alves Feitosa; Luiz, 36 a., de Eufrásio Alves Carneiro; Luiz, 13 a., de Francisco Rufino Ferreira Gomes; Luiz, 25 a., de Alexandre José Rodrigues; Luis, 16 a., de Josué Teixeira Bastos; Luisa, 50 a., de Francisco Pires Chaves Sobrinho; Luiz, l2 a., de Joaquim Pires Chaves; Luisa, 12 a, de Antonio Gonçalves de Queiroz; Margarida, 58 a., de Maria da Cruz; Maria, 36 a., de João Francisco de Sousa; Maria 18 a., de José Furtado Pacifico; Maria 20 a., de Maria Sampaio de Queiroz; Maria, 15 a., do Dr. José Francisco Jorge de Sousa; Manoel, 20 a., de Francisco Bento de Araujo; Mathias, 25 a., de Theresa Maria da Conceição; Maria, 25 a, de Domingos Rodrigues Barreto; Manoel, 21 a., de Joanna Delfina de Queiroz; Marianna, 15 a., de Lauriano Teixeira ­Bastos; Mariano, 26 a., de Antonio Vieira de Salles; Maria, 18 a, de Maria Geralda; Manoel, 28 a., de Maria da Cunha Araujo; Mariano, 20 a., de Maria Pereira de Senna Barreto; Maria, 18 a., de Domingos Barbosa do Espirito Santo; Maria, 23 a, de Joana Delfina de Queiroz, Maria, 16 a., de Eufrásio Alves Carneiro; Maria 13 a, de Antonio Pereira Lima; Maria 63 a., de Alexandre José Rodrigues; Maria, 60 a., de Miguel Muniz Barreto; Octaviano, 35.a, de Alexandre José Rodrigues; Paulina, 36 a., de Domingos Rodrigues Barreto; Pedro, 36 a., de Maria Jacyntha Caval cante; Rosalina, 16 a., de Neutel Pinheiro Bastos; Raymunda 50 a., de Eufrásio Alves Carneiro; Quitéria 50 a., de Antonio Rodrigues Barreto; Raymunda, 39 a., de Alexandre José Rodrigues; Rosa, 20 a., de Roberto Ferreira Gomes; Rosaria, 30 a., de Thereza Maria da Conceição; Raymundo, 20 a., de Maria Queiroz de Sampaio, Romão, 13a., de Alexandre José Rodrigues; Silvana, 50 a., de José Furtado Pacifico; Silveria, 50 a, de Durça Margarida do Espirito Santo; Sebastião, 22 a, de Manoel Lopes Barreto; Sabina, 38 a.; de David Teixeira Bastos; Sabino, 20 a., de Maria Jacyntha Cavalcante; Theresa, 16 a., de Anna Maria de Magalhães; Urçula, 36 a., de Maria Jacyntha Cavalcante; Vicente, 30 a., de Lucas Pereira de Sousa; Vicente, 18 a, de David Teixeira Bastos; Vicente, 15 a., de Joanna Delfina de Queiroz; Vicente 15 a., de Alexandre José Rodrigues; Victaliano, 13.a., do mesmo; Vicente, 13 a., de Miguel Antonio Rodrigues; Zeférino, 40 a.,  de Bernardo Ferreira Lima.
Destribuidas que foram as cartas uma salva, de 21 tiros saudou o grande acto de patriotismo, abnegação e caridade de um povo, que havia reclamado a gloria de arrancar de sua pobresa as glorias e riquesas desse dia.
Encerrada então, a sessão as torres repicaram, a música encheu o espaço com sons harmoniosos; os ares estrugiram os estampidos de centenas de bombas, o povo ali reunido, começaram então evacuar o templo e desfilar, tendo à sua frente a bandeira da sociedade libertadora de São Francisco, que tremulava saudada pelo vento da liberdade e se encaminharam, com toda a espessa multidão que echoava, a casa do destincto presidente da Sociedade de Senhores Libertadores de São Francisco, donde havia sahido e onde daria fim.
Nada mais havendo a faser mandou a mesa lavrar esta acta, que vae por ella, pela commisão da Sociedade Cearense Libertadora da Capital, oradores e mais pessoas gradas assignados, para todo tempo constar. Eu Leontino Laurentino de Meneses Carvalho, 1.º Secretario, subscrevi e assigno.

Antonio de Mello Santiago - Presidente
Vigário José Silvino de Maria Vasconcelos – 1.º Vice-Presidente
Antonio Teixeira Bastos
Leontino Laurentino de Menezes Carvalho -  1.º Secretário
João Otton do Amaral Henrique – Advogado


ATA DAS COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO 

DA ABOLIÇÃO

(ITAPAJÉ 2 DE FEVEREIRO DE 1883)







PRAÇA DO CENTENÁRIO - 2 DE FEVEREIRO DE 1983


ALGUMAS FOTOS DOS ABOLICIONISTAS


CEARÁ TERRA DA LUZ

FRANCISCO FELIPE DE ARAÚJO SAMPAIO













LOCALIZAÇÃO DA CIDADE DE ITAPAJÉ - MAPA DO CEARÁ



ABOLIÇÃO DOS ESCRAVOS DE ITAPAJÉ
2 de Fevereiro de 1883 / 2 de Fevereiro de 2013
“130 ANOS DE LIBERDADE E CIDADANIA”

PARTE II: (Final).
HERÓIS E DOCUMENTOS


OS ABOLICIONISTAS


DOCUMENTOS E FOTOS

A História nos ensina que devemos ser imparciais, para sermos críveis. Assim pensava e dizia Marcus Tullius Cícero: “O primeiro dever do historiador é não trair a verdade, não calar a verdade, não ser suspeito de parcialidades ou rancores”. Assim sendo, prolongando-me, mais um pouco, finalizo, a narrativa sobre a magnânima data da Libertação dos Escravos de Itapajé, como vimos na postagem de ontem, dia 1 de fevereiro, em que foram apresentados os principais momentos importantes daquele evento.
Hoje, concluindo nosso objetivo de mostrar, com muitos detalhes e informações, os Heróis, fotos, documentos importantes dessa efeméride. Vamos, portanto, conhecer um pouco dos envolvidos na Libertação da Escravidão em São Francisco, atual Itapajé, em 2 de fevereiro de 1883 – Sexta feira.
São Francisco teve entre seus muitos Arautos da Liberdade, seu filho ilustre Francisco Felipe de Araújo Sampaio e o Vigário, na época o Padre José Silvino Maria de Vasconcelos, este último natural do município de Sobral.  Vejamos a seguir, algumas informações sobre os que estavam presentes na efeméride da ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA DE SÃO FRANCISCO - ITAPAJÉ:


FRANCISCO FELIPE DE ARAÚJO SAMPAIO
Nascido na então vila de São Francisco de Uruburetama, hoje cidade de Itapajé, em 13 de setembro de 1834. Aos dezenove anos de idade seguiu para a Corte, onde se matriculou na Escola Militar. Concluído o curso, foi mandado para Belém a fim de montar um laboratório pirotécnico, conservando-se na capital paraense até 1865, quando partiu para o Paraguai, cuja campanha fez até os últimos instantes de 1870.
Voltando ao Ceará, ingressou na política, tendo sido deputado provincial, no biênio 1882-1883, aos 48 de idade. Seus companheiros de Câmara eram: 1 – Capitão Antonio Pereira da Cunha Callou, 2 – Capitão Arcádio Lindolfo d´Almeida Fortuna, 3 – Capitão Antonio Moreira de Souza, 4 – Capitão Antonio Antonio Gurgel do Amaral Valente, 5 – Padre Bernardino d´Oliveira Memória, 6 – Capitão Belizário Cícero alexandrino, 7 – Major Chrisanto Pinheiro d´Almeida Mello, 8 – Tenente Coronel Custódio Ribeiro Guimarães, 9 – Capitão Francisco Marçal d´Oliveira Gondim, 10 – Padre Francisco da Motta Souza Angelim, 11- Tenente Felippe d´Araujo Sampaio, 12 – Dr. Francisco Barboza de Paula Pessoa, 13 – Dr. Francisco Delfino Ribeiro Montenegro, 14 – Dr. José Antonio da Justa, 15 – Justiniano de Serpa, 16 – Padre José Joaquim Coelho da Silva, 17 – Dr. José Mendes Pereira de Vasconcellos, 18 – Tenente Coronel João Paulino de Barros Leal, 19 – Padre João Antonio do Nascimento Sá, 20 – Padre João Carlos Augusto, 21 – Alferes José Martiniano Peixoto d´Alencar, 22 – Major João Mendes da Rocha, 23 – Padre José Gonçalves da Costa, 24 – Capitão Luiz Januário Lamartine Nogueira, 25 – Capitão Miguel Soares e Silva, 26 – Martinho Rodrigues de Souza, 27 – Capitão Pedro Onofre de Farias, 28 – Capitão Pedro Jayme d´Alencar Araripe, 29 – Capitão Raymundo Vóssio Brígido dos Santos, 30 – Capitão Roseo d´Oliveira Jamacaru, 31 – Capitão Raymundo Carlos da Silva Peixoto e 32 – Padre Sizenando Marcos de Castro e Silva.
Ardoroso abolicionista manteve posição sempre avançada na batalha antiescravista, a ele devendo-se a libertação dos cativos do Ceará e, em especial, a de Itapajé,em 2 de fevereiro de 1883. Um fato que deve se exaltar é que, no ano de 1880, precisamente, conforme documentos disponíveis no Instituto do Ceará, cópias em meu poder, o apresenta como fundador da Sociedade Cearense Libertadora. Aos 8 dias de dezembro 1880 –– Quarta feira – Assim é relatado: - Funda-se, sob os auspícios da “Perseverança e Porvir”, a “Sociedade Cearense Libertadora”. O presidente da Província (42º) André Augusto de Pádua Fleuri - (2 de julho de 1880 a 26 de fevereiro de 1881) - não comparece ao ato inaugural da sociedade, tendo exposto a Antônio Martins, na audiência em que o recebe em Palácio, os motivos por que não iria à sollenidade. Adianta que era de esperar da Cearense Libertadora e que tinha boas esperanças de que o Ceará fosse a 1ª. Província emancipada. Na festividade, realizada na Assembléia, fazem-se ouvir José Moreira do Amaral, Antônio Martins, Gonçalo de Almeida Souto, o secretário da Beneficente Portuguesa 2 de Fevereiro, João Batista Perdigão de Oliveira (poesia), Papi Junior, Frederico Borges, Farias Brito, Francisco Dias Martins (poesia), Padre Dr. João Augusto da Frota, Dr. Guilherme Studart (Barão de Studart), Antonio Bezerra de Menezes e FRANCISCO FILIPE DE ARAUJO SAMPAIO – o grifo em maiúscula é meu - e, por fim, o Presidente. Este apresenta à Assembléia os nomes escolhidos pela “Perseverança e Porvir” para formar a diretoria da “Cearense Libertadora”: Presidente João Cordeiro; vice José Moreira do Amaral; 1º secretário, Frederico Borges; 2º, Antônio Bezerra de Menezes; advogados, Dr. Manuel Ambrósio da Silveira Torres Portugal e cap. Justino Francisco Xavier; tesoureiro, cap. João Crisóstomo da Silva Jataí; procuradores, José Caetano da Costa, João Carlos da Silva Jataí, João Batista Perdigão de Oliveira e Eugenio Marçal. São Libertados três escravos. Inscrevem-se 227 associados. Tocam as bandas de Música, do 15º Batalhão e da Polícia. Os libertadores usam criptônimo e na correspondência interna empregam uma espécie de código”.
Abandonando a política, entregou-se com entusiasmo, aos ideais altruísticos, de fundo sinceramente humanitário, em especial junto aos cristãos, já que era católico fervoroso. Graças às suas iniciativas e à sua tenacidade é que foi instituída, em Fortaleza, a Sociedade de Senhoras de Caridade. Felipe Sampaio era sem dúvida um filantropo de marca maior. No ano de 1885, precisamente no dia 15 de agosto - Sábado, participou da equipe de homens que criaram a Conferencia de São Vicente de Paula. A comissão inicial foi formada por: Padre Pedro Cavalcante Rocha, Antonio de Salles Sobrinho, Rufino Ferreira de Araujo, Francisco Pinto de Mesquita, Francisco de Souza Barreto, Joaquim de Souza Santos, João Ferreira de Araujo, João Marques Carvalho, José Florindo da Silva, Viriato Aprígio Bezerra, Vicente Alves da Silva, Felipe de Araujo Sampaio e Saturnino Borges de Freitas. Instalada a sessão e revelado seus objetivos, vieram os discursos de apoio e promessas em trabalhar em prol pela qual tem objetivos tal entidade. Presidiu por longo tempo a Sociedade de S. Vicente de Paulo do Ceará, em Fortaleza.
Mudando-se para Pernambuco, Recife, continuou ali a mesma atividade generosa, ao mesmo passo que exercia a sub-gerência da Companhia Ferro Carril. A convite desta transferiu-se para Belém, onde exerceu o cargo de Chefe do Tráfego da Companhia Urbana Paraense. Faleceu na Cidade de Castanhal em 27 de outubro de 1902.
Possuía todas as medalhas de campanha do Brasil, Uruguai e Argentina. Um de seus filhos, em segundas núpcias com D. Paulina Braga, é José Maria Sampaio, muito conhecido no Rio de Janeiro, pelas suas habilidades artísticas. Felipe Sampaio era filho de José Andrade Sampaio e de Vicência Ferreira. (Nota do autor: A respeito da filiação desse herói da Libertação dos Escravos, cabe aqui fazer algumas observações: Segundo o livro de levantamento genealógico, de autoria de Francisco de Andrade Barroso, edição de 1990, páginas 46 e 58, constam que Francisco Felipe de Araújo Sampaio era filho de Gonçalo de Andrade Sampaio, nascido em 30 de junho de 1774 e falecido em 19 de março de 1857). Já sua mãe era Matilde da Rocha Furtado (ou Matildes Teresa da Conceição). Consta também na página 58 do mesmo livro, que Felipe Sampaio teria casado em 15 de julho de 1863, com Jesuína Leal de Menezes Bastos, falecida em agosto de 1900, era filha de Francisco Teixeira Bastos e Luisa da Encarnação Bastos, ele o primeiro representante da família Bastos nesta região.

Padre JOSÉ SILVINO MARIA DE VASCONCELOS, filho de José Ferreira de Vasconcelos e Ana Francisca de Vasconcelos. Nasceu em 8 de julho de 1846. Estudou no Seminário de Fortaleza, ordenando-se a 30 de novembro de 1870, foi vigário de Arataiaçu, por provisão de 7 de janeiro de 1871 e empossado naquela Paróquia, em 27 de abril de 1871, era natural de Sobral. Antes de assumir a Paróquia de São Francisco (Itapajé), já vinha exercendo o cargo de coadjutor desta Paróquia, há um ano, quando foi promovido a vigário encomendado, por nomeação de 30 de setembro de 1879. Tomou posse do cargo em 19 de outubro de 1879. Não dispondo de boa saúde, o seu paroquiato foi relativamente curto, de apenas 6 anos. O principal fato em seu paroquiato foi por está totalmente envolvido na causa da libertação dos escravos de São Francisco, quando em 2 de fevereiro de 1883, sexta feira, (lua minguante), celebrou, na manhã daquele memorável dia, a Santa Missa em Ação de Graças pela libertação dos escravos. Deu realce a catequese das crianças. Faleceu em Sobral em 28 de fevereiro de 1916, sendo sepultado no cemitério de São José, em Sobral.

ANTÔNIO BEZERRA DE MENESES - Figura inconfundível nas Letras e na História cearenses. Nasceu em Quixeramobim, no dia 21 de fevereiro de 1841, filho do Dr. Manuel Soares da Silva Bezerra e de Maria Teresa de Albuquerque. Pesquisador tenaz. Exegeta percuciente, muito lhe devem os estudos históricos, motivo das suas melhores preocupações. Foi um dos fundadores do "Instituto do Ceará" (Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico), ao qual se dedicou apaixonadamente, tornando-se um dos seus mais seguros esteios. A "Revista" do Instituto contém apurados trabalhos de sua pena, inexcedivelmente fundamentados. O seu livro "Algumas Origens do Ceará" consagrou-o mestre da interpretação e dos fatos relacionados com o povoamento do Ceará. Foi também um dos fundadores da Academia Cearense de Letras da qual é Patrono Cadeira n.º 4 - sendo atual titular o Dr. Raimundo Girão. Amava de modo especial as ciências naturais, principalmente a Botânica e a Geologia e bem podemos sentir a sua erudição através da leitura das suas impressões de viagem, mui notadamente em "Maranguape - Notas de Viagem" e "Notas de Viagem ao Norte da Província”. Embora haja tentado formar-se em Direito, não chegou a fazê-lo, voltando de S. Paulo para o Ceará onde se tornou funcionário público. Por muito tempo residiu no Amazonas, tendo dirigido o Museu de Manaus e o jornal "Pátria", de grande prestigio e circulação. As suas atividades literárias o guindaram ao maior apreço nos meios intelectuais, aparecendo Bezerra, em máxima evidência, nos principais movimentos desse caráter, tais como, além das duas instituições citadas, o Centro Literário e a Padaria Espiritual, nesta o seu criptônimo era - André Carnaúba. Poeta, jornalista, homem de decisões obstinadas, sem qualquer timidez, pode oferecer todos esses atributos à campanha da Abolição e nela, depois de João Cordeiro, é de considerar-se a sua mais destacada e desassombrada atuação. Do mesmo modo, na propaganda republicana. O nome de Antônio Bezerra é uma constante na tessitura dos fatos e dos feitos cearenses no último quartel do século passado e nos primeiros lustros da centúria corrente.
Bem justas, pois, são as palavras de Rodrigues de Carvalho: "No Ceará é figura obrigatória, a de Bezerra, em tudo que seja manifestação da inteligência". Bem mais ajustadas ainda estas de outro seu biógrafo: "A obra de Antônio Bezerra, nas proporções em que se nos apresenta, é um milagre de amor ao torrão natal; vale, antes de tudo, como um prodígio da vontade sobre as mesquinhas contingências da vida”. Com efeito, o seu altruísmo nunca o deixou sair da pobreza material, que no reino do espírito era ele um milionário estróina. Ninguém amou tanto e tão desprendidamente a sua terra. Viveu para ela, na simplicidade do seu tugúrio do Barro Vermelho (hoje Bairro Antônio Bezerra) e o que a ela presenteou de esforço desinteressado, mas altamente construtivo não pode ser pago em moeda comum. Faleceu em Fortaleza, no dia 28 de agosto de 1921.

ISAC CORREIA DO AMARAL – Filho de João Antônio do Amaral e Maria Correia de Melo nasceu em Fortaleza no dia 18 de setembro de 1859. Faleceu em abril de 1942 na sua aprazível granja "Bonfim", na serra de Guaramiranga. Aos 12 anos de idade (1871) viajou para a Alemanha, onde cursou a Liceu Prussiano, na cidade de Altona. Titulou-se em humanidades e teve que, ao voltar, demorar mais tempo em Lisboa, a fim de reaprender convenientemente o português. Assim retornava  por haver-lhe morrido o pai. No Ceará alistou-se como endiabrado partidário das refregas libertadoras, perfeitamente integrado no valioso concurso que toda a sua família prestava à campanha.  Finda esta, procurou o Amazonas onde ainda pode participar da abolição na vasta Província do Norte.  Projetista consumado, de sua autoria foi o plano de teatro que seria construído no centro da atual Praça José de Alencar e do qual chegou a levantar os alicerces. Construiu a igreja do Pequeno Grande e o Parque da Independência, hoje Cidade da Criança. Era homem de ânimo inquebrável e de mentalidade muito arguta.

JOSÉ JOAQUIM TELES MARROCOS - Nascido em novembro de 1849, na cidade do Crato, filho do Padre João Marrocos Teles. Estudou no Seminário de Fortaleza e esteve a ordenar-se. Se não o fez, pode, todavia apurar ali os conhecimentos clássicos muito mais o do latim, de que era mestre abalizado. Jornalista, por propensão, foi um dos fundadores do "Libertador", através de cujas páginas auxiliou ativamente a campanha antiescravista. Tinha sobre os ombros as mais arriscadas sortidas. Voltando ao Cariri, montou colégio e não esqueceu o jornalismo; pelo contrário, montou jornais, tais como "A Vanguarda", no Crato, e "O Jornal do Cariri", em Barbalha, este de grande formato. Espírito fundamente religioso, muito concorreu para a ereção da igreja de São Benedito, de Fortaleza. Faleceu na cidade de Juazeiro do Norte em 14 de agosto de 1910.

JOSÉ LIBERATO BARROSO - Conselheiro de Estado, saído do Aracati, onde nasceu em 21 de setembro de 1830. Bacharel e Doutor em Direito pela Faculdade do Recife, da qual foi professor. Deputado provincial, deputado geral, ministro do Império, novamente deputado, senador. Jurisconsulto e homem de letras, conhecedor total das línguas inglesa, alemã e castelhana, tendo para elas vertido várias obras de escritores franceses. Muito honrou o Ceará. Faleceu no Rio de Janeiro em 2 de outubro de 1885.

ANTÔNIO DIAS MARTINS JÚNIOR, nome que jamais deixaria de estar na dianteira, onde houvesse uma agitação qualquer dos liberteiros. Nasceu em Fortaleza, no dia 16 de junho de 1852, filho de Antônio Dias Martins e Francisca Xavier de Albuquerque. Foi caixeiro de escrita e, depois, funcionário da Alfândega. Jornalista de pulso dirigiu vários órgãos de imprensa na Capital. Era admirável cronista e com o pseudônimo Delisle tornou disputados os “folhetins” do jornal “Constituição” e, mais tarde, no “Libertador”, com João Lopes Ferreira Filho, os sueltos que saíam com o titulo - A Semana. Com Antônio Bezerra e Justiniano de Serpa publicou “As três Liras”, livro de versos da propaganda abolicionista. Usando o criptônimo de Pery, trazia para os jornais as mais delicadas crônicas. A última parte de “Três Liras” é de sua autoria e denomina-se “HARPEJOS”. É da tríade o mais poeta, o que mais esteve na intimidade das filhas de Zeus. Poeta e fino cronista. Com os seus fragmentos literários, escondido no pseudônimo (mais um) de Peri ou no Peri & Cia., quando os escrevinhava em parceria com João Lopes, conquistou o gosto dos leitores, ao ponto de torná-lo hábito ou vício, tais a sua riqueza verbal e a suavidade do seu estilo. Das suas incontáveis inspirações transpôs para Harpejos: “Die Irae”, “Surge et Ambula”, “Estátua de Carne”, “Versos”, ao rolar do trem para Acarape, “Versos” à libertação da vila de São Francisco, “O Monge de Granito”, “Visita de Família” e “Contrastes” (5 Sonetos).


O MONGE DE GRANITO
Original de Antônio Martins

"Era da tarde ao fim, que o vi de perto,
Já das brumas da noite o vulto incerto ...
Um gigante de pé;
Depois, à luz do dia contemplei-o,
Fui mais perto, mais perto - o mesmo enleio ...
"Infinito galé!"

Como ele é majestoso! Viu passarem
Com os séculos gerações a se abismarem
Na tumba das idades; - sentinela dos mundos no seu posto,
Tem das procelas rugas,  pelo rosto sulcos das tempestades!

Fez-se monge . . . Preferiu à cela escura
O ambiente sagrado da natura,
Entre os muros azuis da cordilheira;
E aí, n'um paraíso aos céus aberto,
Constituiu-se - um marco no deserto
- Ancora da fé na crença derradeira.

Quem sabe a sua lenda?
Altos mistérios . . .
Dorme com as gerações nos cemitérios
A história deste herói! . . .
Sondar quem pode a alma gigantesca
Dessa estátua sem luz - múmia dantesca
Que o tempo não destrói.

O povo aponta-o respeitoso e altivo,
Como a estátua fatal d´um redivivo ...
Do dilúvio . . . talvez?
Da arca de Noé caíra a nado,
Té que um dia - aportou extenuado
Dos serros no convés!

Foragido dos mares, da esperança.
Tanto lutou que teve na bonança
O seu último alento;
Hirtos os membros, cansados, sem conforto,
Ascendeu ao Calvário antes do Horto - no hérculeo passamento
Tem encelados os membros de granito,
Rolou lá das alméias do infinito dorso dos destroços.


OUTROS ABOLICIONISTAS




DRAGÃO DO MAR
(FRANCISCO JOSÉ DO NASCIMENTO)



PENSAMENTOS DO DIA

“Nada no mundo se compara à persistência. Nem o talento; não há nada mais comum do que homens malsucedidos e com talento. Nem a genialidade; a existência de gênios não recompensados é quase um provérbio. Nem a educação; o mundo está cheio de negligenciados educados. A persistência e determinação são, por si sós, onipotentes. O slogan "não desista" já salvou e sempre salvará os problemas da raça humana.” – Calvin Coolidge




 “NÃO FOMOS, NÃO SOMOS, E NUNCA SEREMOS ESQUECIDOS”
"NON FUIMOS, NON SUMUS, ET QUI NUNQUAM OBLITI ERIMUS"
(Ten. Cel. João Paulino de Barros Leal - Presidente da Assembléia Legislativa do Ceará, período 1887-1888)
Ribamar Ramos       
Fortaleza 2 de fevereiro de 2016
BOA NOITE / BOM DIA.

"Acredite: É possível tornar Itapajé mais conhecida, principalmente por e para seus filhos!  Basta não desistir!!!" Ribamar Ramos

Vejam outras postagens anteriores de 2 de fevereiro de 2013 - 2014 e 2015 no Blog da História de Itapajé.



Bibliografia:
1.   DOCUMENTOS Revista do Arquivo Público do Ceará – ÍNDIOS E NEGROS – nº 03 ano 2006.
2.   OS ANDRADES – Francisco Barroso
3.   Livro de Tombos da Paróquia São Francisco de Assis – Itapajé – ano 1885
4.   HISTÓRIA DO CEARÁ – 2.ª Edição 1994 – Simone de Sousa
5.   CENTENÁRIO DE UMA CIDADE - Aristóteles Alves Carneiro, 1959.
6.   CIARÁ TERRA DO SOL – Márlio Fábio Pelosi Falcão – 1999.
7.   A ABOLIÇÃO NO CEARÁ - Raimundo Girão. 1956.
8.   Sites da Internet: Google, Instituto do Ceará, Arquivo Público do Ceará e outros.
9.   Algumas entrevistas.
10. Anotações diversas e pesquisas: Ribamar Ramos